terça-feira, 23 de junho de 2009

Jogos Arbitrados

Porque é que não há mais encontros de ténis arbitrados? Fiz várias vezes a pergunta a pessoas ligadas à arbitragem e, com algumas nuances, a resposta é sempre uma de duas: ou não há árbitros suficientes para as necessidades ou os organizadores dos torneios não têm dinheiro.
Começando por pegar no segundo argumento, é claramente falacioso. Se os clubes têm dinheiro para despesas muito maiores, também terão para pagar a deslocação e o trabalho dos árbitros. Embora eu continue a defender que não devem ser os clubes a pagar as despesas com arbitragem. O que seria se no futebol ou noutras modalidades fossem os clubes a encarregar-se dos vencimentos dos árbitros?
Se é nítido que os clubes e outras entidades organizadoras de torneios de ténis, podendo suportar encargos muito maiores, podem perfeitamente suportar as despesas com arbitragem, nas poucas semanas em que as têm durante o ano, já não será tão nítido o que fazer quanto a uma efectiva falta de pessoas habilitadas para arbitrar. Os clubes até podem somar significativas quantias com as taxas de inscrição dos tenistas nos torneios e ter muito com que pagar a arbitragem que se não houver árbitros não se vão inventar.
Mas porque é que há poucos árbitros? Para já, porque há poucos cursos de arbitragem. Resta saber porque é que há poucos cursos de arbitragem. Será que não é porque quem os pode criar não os quer criar, mantendo os serviços de arbitragem nas mãos de meia-dúzia?
Se assim for, só resta a Federação ou o Estado (o IDP) tomar nas suas mãos a formação de árbitros de forma directa e activa.
Sem vontade para tal, há a alternativa do recurso a alguém do público aceite por todas as partes para que se tenham mais árbitros nas cadeiras a eles destinadas. Não será o ideal, mas é então o possível.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ronaldo e a Promoção do Desporto

Não sou dos que acham que o Cristiano Ronaldo tem obrigação de partilhar o dinheiro que a sorte e o mérito lhe proporcionaram. O dinheiro é dele e ele gasta-o como bem entender.
Porém, quando se vê um Obikwelu, com muito menos meios, ter uma iniciativa como é a Fundação Francis Obikwelu, é inevitável pensar o que poderia fazer um Ronaldo dentro da mesma linha de objectivos.
Há tantos jovens com valor a que só falta dinheiro para irem mais longe no desporto (e noutras actividades) que não é possível deixar de ter em mente que, destinando apenas algum do seu dinheiro ao apoio às actividades desses jovens, o Cristiano Ronaldo poderia fazer mais pelo desporto português e mundial do que conquistando todos os títulos que tem conquistado.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Experiência internacional

Há uns tempos atrás, um amigo perguntou-me que medida escolheria se só pudesse escolher uma medida para favorecer o futuro do ténis português. Estranhamente ou talvez não, a resposta saiu-me com certa facilidade: escolheria o agrupamento de meios para permitir a jovens tenistas nacionais andarem lá por fora a competir o máximo de tempo possível.
De facto, parece-me que o que mais urge fazer é pôr os nossos jovens em contacto com as realidades internacionais. Sermos um país periférico no contexto europeu não ajuda, mas se não formos por aí, de nada valerão outras iniciativas.
É bom ter um CAR. São bons os estágios promovidos pelos seleccionadores nacionais. A organização de torneios juvenis A e B tem tudo de bom. Porém, se os nossos tenistas mais promissores não andarem em competições internacionais sempre que a escola o permite, ficaremos para trás. Quanto a mim, é esta falta de contacto internacional ao nível do que fazem outros países um dos principais responsáveis por a diferença entre os tenistas lusos e de outras zonas aumentar com a idade dos jogadores.
Tempo para ir fora de Portugal existe (o ano escolar tem entre 15 e 20 semanas de férias). Quanto a dinheiro, é inequívoco que as famílias terão que fazer um esforço redobrado para atingir objectivos, mas a Federação também ainda tem margem para poupar noutras coisas e apoiar um projecto do tipo que aqui preconizo.
A checa Gabriela Pantuckova, de 14 anos, jogou nos últimos 6 meses 68 encontros internacionais. O peruano Sub-16 Daniel Santos já contabiliza 62 encontros internacionais em 2009, o croata Filip Veger e o argentino Juan Ignácio Galarza, da mesma idade de Daniel, vão em 61 encontros internacionais cada no decorrer deste ano. A romena Elena Bogdan, 17 anos feitos há pouco, tem 57 encontros destes em menos de meio ano. Não será este tipo de calendarização uma mais-valia?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Francis(co)

A Fundação Francis Obikwelu organizou dia 7 de Junho, em Gaia, o primeiro de três eventos de captação de talentos desportivos pelo país, nas modalidades de ténis, natação, futebol, atletismo e basquetebol.
O evento denominado "Talentos Escondidos – Zona Norte" teve como objectivo a descoberta de talentos dos 6 aos 14 anos, premiando um jovem em particular com uma ajuda de 5000 euros, para despesas de formação, aquisição de equipamento e deslocações a provas desportivas.
Para nosso gáudio, o vencedor foi um pequeno tenista, o bracarense Francisco Caldas, alguém com efectivo valor e com uma família que dá mesmo garantias de ir usar o dinheiro no ténis do Francisco.
O Nuno Marques, o nadador Simão Morgado, o treinador de futebol de formação Tiago Lopes, o basquetebolista Sérgio Ramos e o próprio Francis Obikwelu fizeram a observação e selecção dos jovens que se inscreveram.
Esperemos que surjam muito mais iniciativas do tipo da que aqui fica referenciada.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Despiste médico

Por muito impopular ou antipática que seja a medida, torna-se necessário fazer um despiste médico aprofundado de tudo o que os tenistas a iniciarem-se na modalidade possam ter que desaconselhe a prática do ténis de competição (ou mesmo do ténis de lazer, se for o caso).
Dirão que ninguém é federado sem exames médicos, mas eu sei perfeitamente o que estou a dizer. A quantidade e tipo de lesões que afectam os jovens tenistas pode ter a ver com algumas deficiências na preparação física ou mesmo no treino de campo, mas é sobretudo grave quando o jovem tem uma predisposição de base para essas lesões, um quadro médico pessoal que tinha que ter sido detectado logo a priori e não foi.
Mais vale que existam diligências médicas exaustivas nos primórdios da prática desportiva, mesmo que afastem os miúdos da prática (competitiva) da modalidade, do que deixar andar as coisas até um ponto em que os garotos se encheram de expectativas de títulos que a sua saúde não lhes permite alcançar. Ao que se podem juntar lesões complicadas até para a vida do dia a dia.
Quanto a mim, o ideal seria as associações regionais ou a própria Federação tomarem em mãos este pelouro médico, tutelarem-no, de preferência com técnicos de saúde tão ligados ao ténis como possível. Mesmo que assim não seja, as entidades referidas podem usar as concentrações das selecções regionais e nacionais para avaliações médicas (à imagem do que se faz em Espanha, França e outros países).
Para os pais que felizmente nunca passaram por isso, tenho que fazer um último alerta. Quando surgem as lesões, graves ou menos graves, raramente há responsáveis ou apoios. Ninguém tem culpa. Ninguém sabia. Ninguém viu. Ninguém pode ajudar. Os seguros desportivos são anedóticos. Filhos e pais ficam completamente sozinhos (em regra).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Parabéns ao Gil, à Michelle e à Maria João

Parabéns muito sentidos ao Frederico Gil, à Michelle Larcher de Brito e à Maria João Koehler. Se há-que parabenizar iniciativas de dirigentes, que dizer destes fenomenais jogadores?
Parabéns ao Frederico, que ganhou ao Gimeno Traver por claros 6-1 e 6-3 depois de ter perdido com o mesmo jogador uma semana antes. Mesmo o segundo encontro sendo em relva e o primeiro em terra batida, é um feito digno de um tenista com uma enorme força mental.
Parabéns à Michelle e por dois motivos, a entrada no Top-100 WTA (com o seu 90º posto, é a primeira portuguesa nesta hierarquia) e o wil card para o Quadro Principal de Wimbledon (que só se consegue com muito prestígio acumulado).
Parabéns à Maria João pela segunda vitória em torneios pontuáveis para o ranking WTA (venceu em Amarante duas semanas após a vitória em Cantanhede).
O que todos estes tenistas têm em comum é uma ambição, um querer e uma garra fora do comum.

Alta Competição e Bolsas de Apoio

Obviamente, nem tudo é mau na organização do ténis português. Pelo contrário, o meu entendimento é o de que há muita coisa boa a assinalar e a generalidade dos assuntos estão a atravessar uma evolução extremamente positiva. O próprio CAR, com inquestionáveis falhas pelo meio, é um claro avanço em relação ao statu quo anterior.
Mesmo em termos de diovulgação de apoios institucionais, os últimos tempos podem ser vistos como uma "lufada de ar fresco". Basta referir que o novo site da Federação publica, além das normas para a obtenção do Estatuto de Alta Competição e de Bolsas de Apoio à Alta Competição, a lista de nomes dos beneficiários. Assim, tudo é claro, transparente.
Pelo que oiço dizer, as associações regionais estão alertadas e seguirão em breve o exemplo, promovendo aquilo de que tanto se fala em Portugal a todos os níveis: "uma verdadeira política de transparência e proximidade". As iniciativas, eventos e apoios que se efectuem, têm que ser publicitados, a bem de tudo e de todos.

domingo, 7 de junho de 2009

Regresso ao Assunto

Acreditem que é com grande tristeza que tenho que voltar a este assunto, mas o passar dos dias, e até das horas, parece agravar mais e mais as coisas. Já não são dois e sim três os tenistas da capital a ir integrar o CAR como internos. Pelo menos este terceiro elemento é apenas da chamada Grande Lisboa e não propriamente da cidade que dá nome à região. Mas será que o Estoril fica assim tão longe?
A agravar tudo isto, dá a ideia que os jogadores em causa vão ser internos mas sem dormirem no CAR, vão ser realmente uma espécie de "falsos internos". A ideia é só não pagarem refeições e, num caso muito especial que toda a gente vê qual é, não pagar as aulas do treinador e continuar a treinar com o mesmo técnico.
Não posso crer que isto vá por diante assim. Todavia, terão que se apurar os culpados por estas "manobras". Serão os pais? Será alguém na Federação? Serão os treinadores?
É que não ficamos por aqui. Uma das últimas novidades é que a idade inicialmente estabelecida para os membros do CAR desceu para 14 anos, sem nenhuma nota pública e depois de ter sido noticiado publicamente que essa idade era de 15 anos. É esquisito e mais esquisito ainda se pensarmos que houve várias hipóteses de aumentar o limite máximo de idade e esse permanece o mesmo da primeira hora (18 anos).
Com tudo isto, há cada vez um maior risco de cair em descrédito um projecto de que o país tenístico necessita muitíssimo.
Não ponho em causa à partida a honorabilidade de nenhum dos envolvidos, mas não será já tempo de alguém vir explicar o que tem que ser explicado?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Lisboetas no CAR

Tive há pouco tempo a confirmação, sublinhe-se esta palavra, de que um jovem tenista e uma jovem tenista lisboetas vão aproveitar as condições oferecidas pelo CAR do ténis na qualidade de residentes.
Não vou dizer os nomes porque ainda tenho esperança que alguém volte atrás nisto e os dois atletas, talvez os menos culpados de entre os envolvidos, sejam resguardados. A culpa é obviamente dos adultos e, com toda a sinceridade, espero que os adultos envolvidos responsáveis nesta matéria, começando pelo Cunha e Silva e pelo novo Presidente da FPT, pessoas que sempre tenho admirado, se apercebam rapidamente do quanto erraram. Errar é humano e, mesmo com tenistas do CETO no meio do imbróglio, não quero sequer pôr a hipótese de isto ser mais que um erro, uma má avaliação do que está em causa.
Não pode fazer sentido que fiquem de fora do CAR bons e esforçados tenistas da província para que pessoas da região de Lisboa fiquem permanentemente no CAR.

Agora os Nomes

Escrevi aqui há alguns dias atrás que o processo de criação do CAR de ténis do Jamor exigia muito mais do que a simples discussão de nomes de protagonistas, fossem eles potenciais directores, treinadores, preparadores físicos ou... jogadores.
Não retiro uma vírgula. No entanto, é chegado o tempo de divulgar ao país os nomes dos atletas que irão integrar o CAR já a partir deste mês. Segundo sei, os convites foram feitos e quem escolheu aceitar já aceitou. Terá até havido ontem uma reunião com atletas e pais. Porque não se fez ainda a divulgação dos nomes dos tenistas que integrarão o CAR?
Não digo que se divulgassem os nomes dos convidados, pois estávamos perante uma lista ainda sujeita à aceitação dos interessados (embora também não viesse daí mal ao Mundo). Inversamente, pelo menos a lista dos que aceitaram fazer parte do projecto tem que ser divulgada e o mais depressa possível.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Favor da Relva

Na conferência de imprensa de apresentação da cobertura do court central de Wimbledon, um jornalista questionou se não seria de mudar o piso do célebre torneio. Assentou o seu raciocínio na previsivel degradação de uma relva menos exposta ao Sol e no facto de cada vez existirem menos courts relvados.
A resposta foi um rotundo não. Para justificar o não, foi-se buscar a tradição e até o nome clássico da modalidade: Lawn Tennis (Ténis em Relva). São argumentos... mas não tão fortes como os que vieram a seguir, assentes na preocupação com a saúde dos jogadores.
É sabido que os tenistas de competição cada vez aguentam menos anos a alto nível e boa parte do problema tem a ver com os impactos consecutivos que os seus corpos sofrem, como que comprimidos entre as raquetes e os pisos duros. Se não se descobrirem novos tipos de pisos rápidos sintéticos, será inevitável uma maior viragem para a terra batida, a carpete e... a relva natural.
A relva, além do mais, oferece emoção como quase nenhum outro piso. O único inconveniente é a manutenção (mesmo a céu aberto).

quarta-feira, 3 de junho de 2009

E a Competição Feminina?

Há sensivelmente 4 anos, a RFET, entidade responsável pelo ténis no país vizinho, achou que não podia continuar sem uma espécie de "plano de urgência para o ténis feminino".
Em masculinos, tudo bem para nuestros hermanos, com 3 jogadores a ocuparem o número 1 ATP nos últimos anos. Já em femininos, desde o abandono de Arantxa e Conchita Martinez, as tenistas espanholas têm passado ao lado dos grandes momentos do ténis mundial.
Como proceder? Os líderes federativos entenderam lançar o tal plano. Deram-lhe o agradável nome de "Enamórate" e duas vertentes: uma para as miúdas entre os 10 e os 12 anos, e outra para as jogadoras a iniciarem-se nas lides do profissionalismo.
Na primeira vertente, um pouco ao jeito do nosso PNDT, fizeram-se algumas concentrações com pequenas tenistas de 10, 11 e 12 anos, assimilando análises psicológicas, rastreios médicos, sessões de técnica e preparação física. Resultou a escolha de 16 meninas para algo do género do nosso CAR e, em anos posteriores, novos processos de selecção.
É uma vertente que poderá ou não ter resultados. Todavia, em termos humanos, levantam-me bastantes dúvidas os casos de desenraizamento familiar e geográfico de crianças com 10 ou mesmo 12 anos.
A outra vertente, tem todo o cabimento, assim haja dinheiro para a levar por diante. Trata-se de aumentar ao máximo o número e a qualidade dos torneios internacionais pontuáveis para a WTA em território espanhol. Pouco a pouco, o número e o nível destes torneios tem aumentado, colocando o país de Cervantes ao nível de França e Itália, muito além dos Quixotismos bacocos de outras eras.
Ainda temos "só" 5 jogadoras espanholas no top-100 WTA contra 10 de França e 6 de Itália, mas nota-se um progresso. Os espanhóis têm 5 elementos no top-100 WTA e 13 no top-100 ATP, mas o avanço da "Armada feminina" não passa desapercebido a ninguém.
Que podemos retirar daqui para o panorama português? Creio que há que assumir o péssimo estado do nosso ténis feminino, como os vizinhos assumiram o relativamente medíocre estado do deles. Como diria o mediático Dr. Phil: "Não se pode mudar o que não se reconhece".
Isso talvez seja o mais importante. Seguidamente, penso que faria sentido um plano de excepção para o nosso ténis feminino, algo que procurasse equilibrá-lo com o masculino. Claro que isto deveria ser simultâneo com a ascensão do nosso ténis masculino a patamares cada vez mais elevados.
De entre as medidas tomadas por nuestros hermanos, já está implícito acima que a mais interessante para mim é o incremento das provas pontuáveis para o ranking WTA.
Uma ideia que surge muito quando se fala em melhorar o ténis feminino é a de criar ou aproveitar treinadores "especializados em ténis feminino". Será que isso existe (ou pode vir a existir)? Os defensores desta posição alegam que a cronologia do desenvolvimento físico e psicológico feminino é diferente do masculino, falam da maior sensibilidade das mulheres, etc. Creio que carece de maiores fundamentos uma separação tão radical. Aliás, vejo no convívio constante entre os dois sexos uma das vertentes mais simpáticas e enriquecedoras do ténis.
Há ideias mais ou menos válidas, mais ou menos validáveis, mas o surgimento de ideias bem intencionadas merecerá sempre atenção e só com novas e diversificadas ideias poderá melhorar algo.
Uma última palavra para salientar que Portugal tem jovens tenistas com claro potencial para chegar ao topo das classificações da WTA: Michelle Brito, Maria João Koehler, Patrícia Martins, Bárbara Luz, Ana Claro, Rita Vilaça, Margarida Moura, Joana Valle Costa... Faltam duas coisas: mais apoios para estas e o surgimento de muitas outras. É manifesta a existência de muito mais qualidade do que quantidade quanto toca falar do futuro do ténis feminino nacional.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

ITN

O ITN (International Tennis Number) é uma classificação que pretende representar o nível geral de jogo de cada tenista. Com este sistema, a ITF (International Tennis Federation) pretende dar resposta a vários objectivos: federar e monitorizar um número maior de praticantes, acompanhar a evolução dos tenistas a nível nacional e internacional, promover competições com base nos níveis do ITN, facilitar a escolha de parceiros de treino e jogos amigáveis, favorecer a mobilidade dos jogadores entre os vários países e estabelecer uma certa metodologia de treino.
Dentro deste sistema, os tenistas posicionam-se entre o ITN 1 e o ITN 10. O ITN 1, simplificando isto, é para quem tem um nível equivalente ao topo da ATP ou WTA. O ITN 10 é o dos principiantes. As entidades responsáveis pelo ténis em cada país ou região classificam de acordo com critérios disponibilizados pela ITF, mas com base nas seguintes categorias: características gerais, serviço, resposta ao serviço, jogo de fundo do campo, jogo de rede, capacidade de passing e estilo de jogo.
O ITN, com algumas adaptações às várias realidades nacionais, já está implantado em países como França, Espanha, Estados Unidos da América, Alemanha, Itália, Austrália, Grã-Bretanha, Suíça, Suécia, Bélgica, Holanda, Polónia, Canadá, Luxemburgo e Marrocos. Seguirá Portugal o mesmo caminho?

sábado, 30 de maio de 2009

Actualizações

Muitos amigos meus irritam-se, e com certa razão, pela falta de actualização dos sites "oficiais" dos torneios.
Temos o caso de Braga, onde está a decorrer um torneio internacional feminino de 10.000 dólares. Aí, o site do clube nem apresenta qualquer informação sobre os quadros. Estará desactivado?
Para mim é menos compreensível ainda a situação de Paços Brandão. Há um site aparentemente activo, visto que estão lá os quadros do torneio B de Sub-14 desta semana, mas os quadros não apresentam quaisquer resultados, apesar de já terem decorrido mais de vinte encontros ontem.
Será que têm que ser os blogues exteriores aos clubes a fornecer estas informações?
Vá lá, pessoal que organiza os torneios... não custa nada ter as coisas actualizadas!...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ambição

As vitórias de alguns tenistas portugueses nos últimos tempos têm sido de tal forma significativas que já quase não nos lembramos qual era o clima psicológico em torno do ténis português há apenas alguns meses atrás.
Poucos se atreviam a falar sequer em fazer uma carreira profissional como jogador de ténis. Isso era algo que parecia pura e simplesmente impossível para alguém nascido em Portugal. Neste momento, olhando sobretudo para uma Michelle, um Frederico Gil e um Rui Machado, já tudo parece possível.
Houve mudanças a nível estrutural ou organizacional no nosso contexto? Houve mudanças de fundo? Até ver, pode-se dizer que não.
Então o que mudou? Apareceram as primeiras grandes vitórias de menos de meia-dúzia que sempre acreditou, quase ao ponto da irracionalidade, ser possível chegar onde estão a chegar. Essas vitórias motivaram quem, por assim dizer, vem atrás.
Para mim, há aqui uma incontornável predisposição de uns raros que levaram por diante a sua ambição. Provavelmente, mais fossem os tenistas lusos com uma forte ambição e mais seriam os tenistas lusos com resultados.
Claro que compreendo os efeitos desmotivadores de muita coisa que eu próprio tenho referenciado, mas sem ambição que leve a superar os obstáculos é que nada feito.
Além disso, a ambição tem que se posicionar da melhor maneira justamente em função dos obstáculos. Há algum tempo, em conversa com um jovem tenista da zona de Oeiras, fiquei com a clara sensação de que ele estaria disposto a fazer todo o tipo de sacrifícios para ser tenista profisssional... se pudesse haver a certeza antecipada de que o viria a ser. Ora, o difícil é ter que seguir adiante trabalhando e sacrificando-se sem essa certeza. Isso exige ambição e... uma maturidade que poucos conseguem patentear com 15, 16, 17, 18 anos.
Voltando aos contornos da ambição, há ainda mais por dizer. Recordo-me sempre das palavras de um treinador sul-americano que passou uma parte da sua carreira em Portugal: "No meu país, quando se fala em objectivos, fala-se em ser número 1 mundial. Em Portugal, fala-se em ser campeão nacional de Sub-12, Sub-14 ou Sub-16, eventualmente em ser o melhor do país em juniores ou seniores."
Culminaria, dizendo que não acredito em grandes motivações sem grandes objectivos, sem a ambição de fazer algo realmente extraordinário.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Comentários

Sem estarem a aparecer comentários neste blogue, o qual se encontra ainda inequivocamente em fase de divulgação, atrevo-me a publicar aqui alguns comentários que foram feitos a um texto meu no blogue Ténis Português do Sr. Rui Barata (v. infra). Digamos que não subscrevo nem deixo de subscrever nenhum dos comentários, mas fiz uma selecção dos que me pareceram mais interessantes...
Jorge (Algarve) disse...
"O diagnóstico tá correcto. Resta é saber quem terá coragem de ir prá frente na luta aos interesses instalados. Se há árbitros que também são jogadores, treinadores, dirigentes, vendedores e etc. não é por acaso. É porque isso enche os bolsos a pessoal que anda por aí a servir-se do ténis e esses não vão querer perder as mordomias. Quem é que vai promover 1 estatuto de incompatibilidades pros nossos árbitros? Quem é que vai ter peito pra dizer aos treinadores que têm que se esforçar mais e fazer formação? Quem é que vai dizer aos dirigentes que podem fazer mais pra arranjar patrocínios? Quem são as famílias que vão pedir respeito pra si próprias e pro seu dinheiro? Com esta me fico."
Teresa Ramos Carvalho disse...
"Os clubes de ténis que não se previnam como deve ser e vão acabar por ficar sem ninguém. quem é que pode hj em dia pagar 100, 200, 300 euros e mais por mês em aulas de ténis. E qd se tem mais que um filho lá, como eu, e os 100, 200, 300 e por aí adiante, são a dobrar. Ainda hj deu na RTP que os portugueses tão a poupar nas actividades dos filhos - guitarra, dança, explicações, vários desportos, línguas. Quem pode fazer outra coisa? E no ténis são as aulas e são os acompanhamentos dos treinadores a torneios pagos à parte, as inscrições nos torneios e nos clubes, as 'jóias', as taxas federativas, encordoações, raquetes novas e sabe Deus mais o quê."
Alberto Neves (Carcavelos) disse...
"Parece-me boa ideia um limite máximo imposto ao preço das aulas de ténis mas temo que fosse estabelecido um limite muito elevado para as famílias porque quem fixaria o tal limite seria a Federação, onde estão muitos treinadores de clube e outras pessoas ligadas aos clubes."
António Santos disse...
"O autor toca em muitos pontos importantes. Pontos que, para quem está no meio, sente. Estou com muitas dificuldades em pôr a minha filha num caminho que lhe permita pensar em ter futuro no ténis.Dizem-me que tem qualidades para isso, mas como não sou rico a estrada, que deveria ser auto-estrada, é a antiga estrada do Marão, cheia de subidas e de curvas. Em suma, é só dificuldades."
Ana Lúcia Duarte disse...
"Sou a mãe de um rapaz com 12 anos que gosta muito de ténis e este mês tive de o tirar do ténis. Fiz isso com ele com lágrimas nos olhos mas não podia fazer outra coisa. É dor que só as mães conhecem. Trabalho como secretária e o meu marido trabalha como administrativo. Os nossos salários já não dão para mais ténis. Vou tentar interessar o meu filho por um desporto mais barato. Aqui perto não há muitas escolhas. Vou ver se ele quer ir para o futebol, andebol ou a natação. O dinheirinho é que manda."
António Almeida disse...
"Concordo que ainda o aspecto mais difícil de mudar de todos é o das mentalidades mesquinhas. Estou farto do nosso ténis. É só invejas, rivalidades doentias, maledicência, más-vontades, egoísmo, individualismo, desumanidade e hipocrisia. Com os praticantes adultos é péssimo e com os miúdos ainda é pior. Dizem-me que é um reflexo da sociedade onde vivemos mas às vezes parece que no ténis ainda é pior. As pessoas em vez de olharem para si e para a sua evolução, esforçando-se para isso, preferem tentar deitar os vizinhos abaixo e ninguém vai a lado nenhum."
Nuno Borges disse...
"Por alguma coisa surgiu um Cristiano Ronaldo no futebol ou um Nélson Évora no salto em comprimento. Se todas as modalidades seleccionassem quem poderia prosseguir com base em limitações económicas, como acontece no ténis, nunca teríamos tido no nosso país desportistas do calibre do Eusébio, Joaquim Agostinho, Carlos Lopes e outros, que nasceram bem pobres mas tiveram condições para fazer os seus desportos de eleição e virem aí a ser os melhores do Mundo. Claro que é necessário ter em conta que há muitos pais do ténis e treinadores de ténis que querem as coisas a continuar como estão, com pouca concorrência para os filhos e alunos, e não se importam nada que a modalidade do ténis não vá mais além desde que os seus rebentos sejam os maiores a nível interno ou até só regional."
Luciano Larrossa disse...
"Sou adepto de algumas ideias que estão aí, aliás, com a a maioria delas. Principalmente no que toca ao espírito de grupo que realmente é zero, mas que aos poucos já começa a melhorar."
Jorge Cruz disse...
"Acho muito bem que a Associação de Pais arranque, porque vai ser muito importante para os atletas."

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nomes para o CAR

O Centro de Alto Rendimento do Ténis (vulgo CAR) é um projecto nacional da maior relevância. Por isso mesmo, justifica um debate bem estruturado e não uma mera discussão de nomes.
Faça-se justiça que pessoas como o actual presidente da Federação, o Prof. César Coutinho e o técnico do Ace Team Pedro Bívar publicaram recentemente interessantes reflexões sobre esta matéria. Só que é bem diferente a forma como o assunto CAR tem sido tratado a outros níveis, onde o único aspecto a ser focado são nomes de pessoas.
Primeiro, o que interessava era saber quem ia dirigir o projecto. Depois, passaram a discutir-se os nomes das pessoas que iriam auxiliar o João Cunha e Silva. Actualmente, as atenções centram-se nos atletas escolhidos para o CAR. E conteúdos? E programação? E regras? Definições? Aparentemente, nada disso interessa. O que interessa é só saber se o lugar x é para y ou z.

A Idade das Jogadoras

O fenómeno das adolescentes estrelas de ténis de há uns anos atrás acabou por implicar a necessidade de se estabelecerem certos limites. A precocidade de uma Capriati ou uma Tracy Austin conduziu-as a um dia-a-dia demasiado stressante, a lesões frequentes e a uma clara incapacidade de gerir o turbilhão de fama e benefícios que alternava com naturais fracassos. A ITF interveio estabelecendo limites de idade para a participação em torneios com um estatuto profissional ou semi-profissional.
Em conformidade, as tenistas que ainda não tenham feito 14 anos não podem jogar torneios pontuáveis para o ranking WTA, as de 14 anos podem apenas jogar 8 torneios desse tipo nesse ano, o limite para as de 15 anos é de 10 torneios, sendo de 12 provas para as de 16 e de 16 provas para as com 17 anos.
Faz isto realmente sentido? A regra é bem intencionada, mas talvez lhe falte algum tempero de bom senso. A leva de torneios pontuáveis para a WTA em curso actualmente em Portugal faz-nos pensar isso mesmo. Tem lógica que se evite sobrecarregar jovens tenistas ainda com o corpo em plena fase de formação, com alguma imaturidade psicológica e competitiva (mesmo contra a vontade delas e das suas famílias). Todavia, é um desperdício ver uma Maria João Koehler, por exemplo, a só poder fazer 12 torneios pontuáveis para a classificação WTA entre Outubro do ano passado e Outubro deste ano. que será suposto ela fazer durante o resto do tempo a nível competitivo? O circuito CIMA acabou, restando somente meia-dúzia de "prize moneys" nacionais, as provas internas dos escalões jovens não são competitivas, as idas ao estrangeiro são sempre uma opção caríssima...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

E Apoios?

Hoje, 22 de Maio de 2009, o ténis português está inquestionavelmente de parabéns. Pela primeira vez, um Grand Slam (Roland Garros) contará com três tenistas lusos nos quadros principais: Frederico Gil e Rui Machado na competição masculina e Michelle Larcher de Brito na feminina. Gil já havia assegurado a sua posição devido ao excelente ranking que tem e hoje a Michelle e o Rui ultrapassaram a fase de qualificação.
Tudo está bem? Não. Falta apoiar estas pessoas que, dando tudo de si, conseguiram feitos que orgulham o ténis em Portugal e que mostram poder ir ainda mais longe.
Expus numa ocasião anterior como é difícil obter patrocínios, especialmente monetários, para uma modalidade individual, com a legislação vigente no nosso cantinho à beira-mar plantado. Pelo que não voltarei aqui a esmiuçar o assunto. O próprio Frederico Gil obteve um patrocínio de roupa apenas há algumas semanas e pouco mais apoios de patrocinadores tem.
No entanto, acredito que valha a pena fazer aqui um apelo a todos os que gostam de ténis e estão à frente de empresas com verbas previstas para o mecenato desportivo no sentido de passarem dos meros gestos de simpatia aos actos de real ajuda a quem necessita e merece essa ajuda. Se é verdade que os organismos do Estado, incluindo empresas estatais, podem fazer mais, também muitos empresários do sector privado podem fazer mais. E se a situação do Frederico Gil ou da Michelle começa a resolver-se, não esqueçam a luta quase solitária da Neuza Silva, Pedro Sousa, João Sousa, Magali De Lattre, Leonardo Tavares, Joana Pangaio, Catarina Ferreira e sobretudo dos mais novos e das suas famílias. Haja apoio de patrocinadores para os nossos jovens, para a Maria João Koehler, Miguel Almeida, Patrícia Martins, Martim Trueva, Bárbara Luz, Francisco Dias, Rita Vilaça, Ana Claro e tantos tantos outros.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

10.000 dólares

Aproveitando a leva de torneios internacionais femininos de 10.000 dólares a decorrer em Portugal, achei que não podia de dar a minha perspectiva sobre este tipo de torneio.
Bem sei que estas provas, as menos relevantes para os rankings mundiais ATP e WTA, têm como principal objectivo a introdução dos jovens tenistas no circuito, são um começo de uma eventual carreira e é compreensível que dêem poucos pontos para os rankings. O problema até terá que se dizer que não está aí.
O problema é que no nosso país dispomos quase só de torneios deste escalão mais baixo, faltando provas de 25.000 dólares, 50.000, 75.000 e por aí a cima, para quem já possua alguma rodagem nos eventos de 10.000 dólares e pretenda começar a pontuar de forma mais significativa para as classificações ATP e WTA.
Pegando no caso feminino, veja-se que nos torneios de 10.000 dólares, é necessário passar uma ronda no quadro principal para atingir um mísero ponto para os rankings e, mesmo assim, o ponto só é contabilizado às jogadoras se for pelo menos a terceira vez que atingem tal feito. A vencedora do quadro principal soma apenas 12 pontos.
Nas organizações com 25.000 dólares, as consideradas imediatamente acima, os quartos-de-final dão logo 14 pontos e à vitória final são atribuídos 50 pontos.
Quem esteja menos por dentro destas coisas poderá dizer que pelo menos estão 10.000 dólares em jogo, mas esse argumento cai por terra se pensarmos que essa quantia é a quantia a distribuir por todos os participantes e não a quantia que leva para casa o vencedor (havendo depois ainda outras quantias para finalistas vencidos, semi-finalistas, etc.). De resto, a quantia terá ainda que ser partilhada entre o quadro de singulares e o de pares, ficando claramente pouco para quem só se concentre num dos dois. Geralmente, as despesas de deslocação nem sequer ficam cobertas por estes "prize moneys".
Acrescentaria que, mesmo que se ganhassem "rios de dinheiro", não será esse o principal objectivo de quem compete. Se fosse só uma questão de dinheiro, muitos jogadores se dedicariam a outras actividades.
Este ano, e permanecendo centrado no sector feminino, é de lamentar de sobremaneira que o único torneio de 25.000 dólares que ia persistindo não se realize. Efectivamente, em fase de reestruturação do Estádio Universitário de Coimbra, só em 2010 se voltará a ter aí um "Ladies Open".

sexta-feira, 15 de maio de 2009

CAR 2

Apesar de já ter lido e ouvido muitas coisa que julgo com enorme cabimento sobre o novo CAR do ténis, há um aspecto que me parece dos mais relevantes que ainda não vi analisado em lado nenhum: como funcionará a nova estrutura em relação aos não-residentes.
Se em relação aos residentes é mais ou menos evidente como tudo irá funcionar (mesmo quase nada ainda tendo sido dito), o mesmo não se passa para os tenistas "externos".
Os residentes virão para Lisboa treinar sob a tutela dos técnicos já anunciados, com quem programarão a generalidade da sua vida no ténis. Pelo menos até Janeiro, terão assegurado alojamento, alimentação e treinos gratuitos. Recorrerão sistematicamente ao preparador físico posto à sua disposição e aos fisioterapeutas, psicólogos e demais técnicos que o IDP tem no Vale do Jamor. Treinarão quase sempre no complexo desportivo implantado naquela zona e integrarão um grupo de trabalho permanente.
Como será para os que não são residentes? Que papel ficará reservado aos treinadores dos seus clubes? Poderá haver uma conjugação de tarefas entre estes e os treinadores do CAR? Quem programará os calendários competitivos destes tenistas? Quem os acompanhará nas deslocações a torneios (em Portugal e no estrangeiro)? A preparação física e psicológica será entregue a quem? Que meios serão aliados a estes jovens? Haverá obrigatoriedade de ir amiudadas vezes ao Jamor? Fazer exactamente o quê? Em que medida serão essas idas ao Jamor diferentes dos nossos conhecidos estágios nacionais no âmbito dos trabalhos dos seleccionadores nacionais?
Para ser franco, até que me demonstrem o contrário, não estou a ver sequer vantagem significativa em se ser integrado como "externo" no CAR, seja qual for o perfil a definir.
O que me parece é que o CAR é excelente para quem é de fora de Lisboa e não tem condições para evoluir na sua terra (se efectivamente não as tiver, porque o Porto, por exemplo tem quase as mesmas condições que Lisboa). Estes ficão agora com a possibilidade de vir como internos para um ambiente com fortes parceiros de treino, técnicos que foram avalizados por uma entidade superior, campos cobertos e numerosos, torneios à mão quase todas as semanas e uma série de outras condições.
Quanto aos lisboetas - os "externos" para que aponta a lógica -, o CAR pode bem ser tomado como um despropósito. A não ser que se esteja a falar de lisboetas que não têm bons parceiros de treino e técnicos com que estejam empatizados. É um caso em que o CAR pode justificadamente ser a "casa tenística", com os jovens a continuarem a residir nas suas casas de família.
Claro está que será enriquecedor para todos se algumas vezes jogadores como o Miguel Almeida, Francisco Dias ou a Patrícia Martins forem ao CAR treinar com os chamados residentes, mesmo permanecendo a 100% nos respectivos clubes. Mas isso é extensivo à junção em treinos e jogos de todos os tenistas com qualidade. Se forem ao CAR treinar de vez em quando jogadores de qualidade completamente sem ligação ao CAR poderá ser igualmente bom.
Acrescente-se, aliás, que vejo utilidade para todos em uma Neuza Silva, uma Frederica Piedade, um Leonardo Tavares ou um Pedro Sousa se deslocarem ao Jamor para alguns treinos com jovens que já os vão equiparando em vários aspectos e que integrarão o grupo de residentes do CAR, sem que isso queira dizer, como está bem explícito, que estes visitantes vão pertencer ao CAR (até pelos limites de idade).

Jornal do Ténis

Penso que o "Jornal do Ténis", publicação que costuma inserir-se no jornal "Record" sexta-feira sim sexta-feira não, é uma enorme mais-valia para a nossa modalidade. Contudo, na altura do Estoril Open, ano após ano repete-se um mesmo exagero: durante um ou dois meses o "Jornal do Ténis" é dedicado exclusivamente a esse torneio.

2009 não foi diferente. Algumas notícias ainda foram aparecendo nas folhas comuns do "Record": abertura do CAR, assinatura de Frederico Silva pela IMG (empresa de management que também agencia o Nadal, o Federer, as irmãs Williams, etc.), presença da Michelle Brito em Madrid ou o percurso do Frederico Gil na Tunísia, por exemplo. Outras foram totalmente esquecidas: inauguração da 1ª fase do Complexo Desportivo Lousada Ténis Atlântico, 10.000 dólares de Vila Real de Santo António, vitória de Matilde Fernandes e boa prestação global lusa no Azores Open 12 & Under, presenças de Frederico Silva e Gonçalo Loureiro na Bohemia Cafex Cup, estreia de Cantanhede na realização de torneios internacionais...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pessoas Normais

Não sei se isto acontece aos outros mas suspeito que sim. Quase sempre que conheço alguém fora do chamado "circulo do ténis" e, na minha apresentação pessoal, chego ao ponto em que digo que gosto deste desporto, obtenho uma reacção adversa. Parece que dá para ler no olhar da pessoa perante mim "este é um convencido, um pedante, um daqueles que pensam que são mais que os outros".

Por que motivo se passa isto? Será que não há pessoas ligadas ao ténis com comportamentos que justifiquem este "pé atrás" em relação ao nosso desporto? Todos sabemos que há. Ainda no último fim de semana do Estoril Open assisti a algo que fala por si. No momento da entrada no complexo desportivo, diz assim a esposa de um banqueiro: "Isto é alguma vez uma entrada VIP? Estamos a entrar pela mesma passadeira que as pessoas normais." Não é coisa do passado. Aconteceu há poucos dias.

Se o ténis não for para "pessoas normais" como é que pode vir a ter mais adeptos e praticantes?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CAR

Apesar de considerar, em abstracto, algo extraordinariamente positivo a criação de um Centro de Alto Rendimento (CAR) para o ténis, sou forçado a partilhar de muitas das preocupações que o técnico Pedro Bívar manifesta num site de referência no panorama tenístico (v. www.bolamarela.com/pt/cronicas.php?ref=23).

Afinal, como é que já há coisas assinadas com o governo e nada está definido sobre o que vai ser este CAR. Até o nome parece ser algo de provisório, pois custa a crer que venha a ser esta a designação definitiva quando tanto se presta a confusões com o CAR que o IDP (Instituto do Desporto de Portugal) já tem instalado na zona do Jamor para as mais diversas modalidades desportivas. Centro Nacional de Treino de Ténis, outro nome que já vi apontado, será claramente mais adequado, bem como qualquer outro que não se preste a confusões.

E para além do nome? Já se sabe se o CAR vai ser só para internos? O alojamento e a alimentação no CAR serão gratuitos para os atletas ou pagos com desconto? E como será para os treinadores? Poderá destinar-se tanto a pessoas de fora de Lisboa como a de Lisboa? Que suporte dará às selecções nacionais? Haverá tenistas federados pelo CAR ou mesmo os tenistas do CAR terão que estar federados por clubes "normais"? Qual será a relação entre o CAR e os clubes? Quais são os critérios para que os jovens tenistas sejam convidados a integrar o CAR? Os atletas do CAR terão algum apoio para a realização de competições, nomeadamente internacionais? Há um orçamento do CAR? Como vão funcionar os estudos dos tenistas do CAR? Há acordos com escolas? Já há um plano de actividades?...

Não chega dizer que, por imposição do governo, o João Cunha e Silva vai dirigir um CAR no Jamor e nem sequer se dizer o que esse CAR é.

Suspeitando, suspeitando apenas, pois mais não posso fazer, que este CAR vai ser mais ou menos decalcado do projecto que há uns anos atrás esteve implantado no Jamor (e na Maia), algumas coisas podem parecer mais definidas mas... continua a ser pouca informação da parte de quem a deve dar.

Uma questão que gostaria de ver respondida o mais depressa possível prende-se com a situação em que ficarão jovens tenistas com tudo para integrar o CAR e até convidados para tal que, por motivos tão legítimos como são a forte ligação aos seus actuais treinadores, companheiros de treino, família e localidade, não queiram deslocar-se para longe. Quanto a mim, as verbas do CAR deveriam ser partilhadas com estes casos. Não faz sentido usufruir de boas condições de treino, um óptimo treinador, companheiros de treino com qualidade e, para ter o apoio financeiro e logistico inerente ao CAR, ter que deixar um ambiente familiar pleno, amigos de longa data, uma escola onde se verifica uma boa integração e todas as referências afectivas. Pior ainda, corre-se o risco de jovens tenistas mais capazes (e reconhecidos como tal) ficarem quase desapoiados em termos financeiros e logisticos e outros menos capazes terem todos os apoios necessários.

Ponto de Partida

Há algum tempo atrás enviei o texto que aqui se segue para publicação e debate em vários blogues, meios de comunicação social e entidades com responsabilidades no ténis.
Exmo(s). Senhor(es),

Embora tenha jogado um ténis muito modesto, a qualidade de pai tem-me permitido, nos últimos anos, tirar algumas ilações sobre o que está menos bem na formação de tenistas de competição no nosso país, não só por mim, naturalmente, mas também em conversa com os meus filhos, com amigos, outros pais e diversas pessoas ligadas ao ténis de muitas maneiras.

Como não sou de me ficar pelas ideias e acho que são as acções que dão sentido a essas ideias, resolvi dirigir-me a várias pessoas e entidades com algum poder para apreciar o que pensei e, eventualmente, agir em conformidade, assim tal lhes pareça com cabimento. O primeiro destinatário será sempre a Federação Portuguesa de Ténis, mas nem só ela pode modificar algumas coisas. Muitos podem colaborar, quanto mais não seja divulgando o texto que escrevi e pondo-o a discussão.

Assim sendo, sem mais pretensões do que as minhas capacidades me deixam ter mas com muita vontade de ajudar a comunidade tenística, passo a enunciar os aspectos que se me afiguram primordiais para que a modalidade tenha um bom futuro no nosso país.

1. Questão Económico-Social
Quem tenha o mínimo de contacto com o ténis sabe que não se pode recusar esta evidência: o ténis ainda é um desporto de elites, no sentido em que é demasiado caro. A selecção dos atletas que vão para a modalidade é feita sobretudo com base no background económico e numa certa tradição familiar, excluindo os pobres e até muitos “remediados”, os que desconhecem os meandros da modalidade e todos os que não se enquadram num perfil redutor da prática do ténis. Naturalmente, enquanto tal subsistir, não é possível o ténis ter os resultados de modalidades que qualquer um com apetência, gosto e jeito pode seguir. Por vezes, no começo, o ténis até está ao alcance do bolso de um número razoável mas quando começa a ser necessário pagar mais aulas, ter mais material, fazer longas e dispendiosas deslocações para jogar… cai sobre os candidatos ao ténis de competição uma peneira que quase nada deixa passar. Acredito que a criação de um Centro Nacional de Treino, que concentre as verbas que têm andado dispersas em torno de bons e aplicados jogadores, possa ser um bom princípio de solução, segundo um sistema que recompensa com meios para a prática competitiva da modalidade os que já mostraram talento e não têm dinheiro. Por outro lado, não sou adverso a que a FPT e outras entidades estabeleçam limites máximos para o preço das aulas de ténis, tal como é normal em muitas profissões. Além disso, tem que haver um lobbie que force à mudança da legislação, dando incentivos aos patrocinadores e facilitando o estabelecimento de contratos de patrocínio, quer em material quer sobretudo em dinheiro.

2. Questão Territorial
Já disse que a criação de um Centro Nacional de Treino (no Jamor) pode ser um grande passo em frente em relação à situação actual. Porém, muito melhor seria criarem-se vários centros nacionais ou regionais de treino. Em termos de instalações, elas talvez até já existam. Temos a Maia, Lousada, Espinho e o Monte Aventino, para dar alguns exemplos a Norte. Existem instalações em Coimbra, Leiria e agora Caldas da Rainha, mais ao Centro. O Algarve conta com boas infra-estruturas em Vilamoura, Vale do Lobo, Faro, Portimão, etc. Só que para completar um verdadeiro quadro nacional, será igualmente necessário desenvolver o ténis nas Regiões Autónomas, no Alentejo, em todo o Interior do país, em Trás-os-Montes e onde quer que haja potenciais tenistas. Se calhar, o primeiro passo será a substituição de uma série de Associações Regionais que não estão a funcionar, por outro tipo de orgânica e empenho. É necessário fazer contratos-programa com Autarquias, para que deixem de existir campos de ténis por esse país fora abandonados por ninguém os usar. Em Porto Santo, Rio Maior, Ourique, Condeixa, Ermesinde, Alcanena, Fundão, Régua, e muitos outros casos, há campos, não há é utilização sistemática desses campos e, quanto a mim, só quando todo o território nacional possibilitar a prática do ténis a um máximo de 20 ou 30 kms da área de residência é que Portugal poderá ter um ténis verdadeiramente muito evoluído.

3. Questão das Infra-Estruturas
O que fica dito não excluí a necessidade da construção de muito mais infra-estruturas, especialmente cobertas e com um número de campos que cubra todas as potenciais necessidades, bem como instalações de apoio ao nível médico, da preparação física, repouso, restauração, etc. Muitas Autarquias estão dispostas a avançar com bons projectos, sobretudo nas localidades onde há menos alternativas para os jovens, só que têm que ser contactadas.

4. Questão Técnica
Nos últimos anos, tem sido notável o esforço da FPT e dos próprios treinadores de ténis para credibilizar esta profissão. A exigência do curso de treinador para desempenhar diversas funções é disso bom exemplo. Simplesmente, ainda não chega. Não é em dois ou quatro dias que se deve tirar um curso de treinador. É necessária mais qualificação. O empirismo tem o seu lugar e um grande valor, a experiência não pode ser substituída por nada, mas tem que haver um maior complemento ao nível da formação e talvez mesmo académico. Conferências, congressos, estágios, livros e Internet podem ser bons suportes do processo de capacitação. Acrescentaria, que o que vale para os treinadores terá também que valer para outras profissões: preparadores físicos, fisioterapeutas, massagistas, enfermeiros, psicólogos, gestores desportivos, técnicos de marketing, relações públicas, etc.

5. Questão Promocional
Não basta que existam campos e professores. É necessário que essas aulas de ténis sejam publicitadas, o que só vejo fazer em cerca de metade dos clubes. Acresce que essa publicidade tem que ser tanto atractiva como verdadeira, realçando a existência de uma actividade e salientando os seus pontos fortes, mas também apresentando preços (que se esperam aceitáveis), as qualificações dos professores e tudo o mais que seja relevante. Se se juntar a este tipo de prática uma campanha nacional de promoção/divulgação do ténis onde ele pode ser efectivamente promovido e divulgado, nos principais media, estaremos ainda melhor. Ficará a faltar somente a existência de programas de ténis escolar verdadeiramente disseminados e abrangendo algumas práticas em diversos anos lectivos.

6. Questão Escolar
Os tenistas formam-se em idade escolar e no nosso país os horários escolares são extremamente sobrecarregados. Que fazer? Para já, tem que se propor aos legisladores a autorização de modelos de ensino alternativos, na linha do que se faz lá fora: estudo à distância pela Internet e estudo domiciliário, por exemplo. Fora disto, ainda se pode mostrar aos legisladores a utilidade que pode ter antecipar a idade a partir da qual se pode estudar à noite. Tudo isto falhando, restam acordos caso a caso com escolas para tentar proporcionar aos jovens desportistas de competição horários compatíveis com a sua condição.

7. Questão Funcional
O ténis português é, como será fácil constatar, um meio muito pequeno, o que tem justificado diversas acumulações de funções. Há treinadores que são simultaneamente dirigentes e outros que são treinadores e vendedores de material desportivo. Há dirigentes de clube que também são dirigentes de associações regionais. Temos árbitros que são simultaneamente jogadores, dirigentes ou treinadores. Promotores de eventos são jogadores. Familiares de jogadores arbitram. Isto não faz sentido nenhum. Basta pensar que não se verifica em mais nenhuma modalidade de que eu tenha conhecimento. Quando as pessoas das outras modalidades sabem disto, riem-se de nós.

8. Questão Organizativa
Esta questão é transversal em tudo e é também transversal a todo o ténis português. As estruturas federativas e associativas têm que estar mais perto de jogadores, treinadores, árbitros e demais agentes desportivos. Ultimamente, tem havido uma clara aproximação dos trabalhos dos vários seleccionadores nacionais e este é um ponto em que se tem que insistir para não criar descontinuidades. O PNDT tem também sido um bom princípio, mas tem que se prolongar o acompanhamento que aí é feito nos escalões etários superiores. Juntamente, há várias arestas a polir que, cada uma por si não significa muito, sendo porém passos no sentido de uma melhora: os rankings deviam sair em datas certas, o calendário federativo devia sair logo com todos os dados relevantes para cada torneio (local, por exemplo), faz falta existirem mais relatórios do que se passa a nível regional na FPT, o site da FPT passou a ser demasiado complicado para os utilizadores, entre outros exemplos.

9. Questão Normativa
Nos últimos anos, quanto a mim sem significativos benefícios, acertando nalguns aspectos mas também falhando noutros, os regulamentos federativos têm-se sucedido a uma velocidade vertiginosa, deixando-nos a todos uma sensação de incerteza sobre as disposições que ainda são válidas e transformando o conhecimento das normas, outrora bem simples, numa tarefa só ao alcance de meia dúzia de pessoas profundamente familiarizadas com elas.

10. Questão Mental
A História dá-nos alguns bons exemplos que devíamos tentar seguir. A grande ascensão do ténis australiano, sueco, espanhol, argentino ou russo teve um denominador comum: o espírito de unidade. Muitos podemos testemunhar a amizade que se sente entre os vários tenistas espanhóis, juntos em centros e programas de treino desde muito jovens. O Nadal talvez não tivesse chegado a nº 1 ATP se não fosse a experiência que lhe transmitiu o amigo Móya, ele próprio ex-número 1 mundial. Sampras sempre realçou o companheirismo entre ele e Courier no trajecto de ambos até ao topo da modalidade. Steffi Graf evoluiu treinando com Boris Becker e, porque não, Becker evoluiu treinando com Graf. Em Portugal, o que se vê é cada um a puxar para o seu lado. É triste e tem consequências muito negativas, todavia talvez resida aqui o aspecto mais difícil de mudar. Aliás, em regra as mentalidades são o mais difícil de mudar.

11. Questão Familiar
O ténis nacional popularizou a expressão “paitrocínio”, símbolo do isolamento das famílias dos tenistas, jovens e menos jovens. É evidente que têm que se angariar verdadeiros patrocínios e até já falei disso acima. Contudo, muitas vezes o que mais falta às famílias é até o diálogo com outros agentes desportivos, palavras de apoio e compreensão. Não pode continuar a acontecer, como amiúde se vê, os treinadores dos filhos considerarem automaticamente os pais uma espécie de inimigo que se quer afastar, um estorvo, um inconveniente. Pelo contrário, as famílias têm que ser encaradas como aquilo que normalmente são: mais-valias. Claro que há pais, sobretudo nos primeiros anos de formação dos filhos, altamente inconvenientes, o que não significa que a regra seja esta.

12. Questão de Escolha
Os pais, a família e os amigos devem igualmente apoiar os tenistas, sobretudo os mais jovens, na tomada de opções que todo o percurso exige. Quanto a mim, é útil que, cada vez mais, se diga não à falta de qualidade e se afastem as propostas tenísticas que não interessam. Se o treinador não está motivado nem ajuda a motivar, se se transformou num mero vendedor de raquetes aos seus jogadores, se abomina acompanhar os atletas a torneios, não serve e há que lhe dizer isso. Se o clube pratica preços excessivos para os serviços que fornece, há que protestar. Só falando as coisas, com seriedade, se poderá melhorar. Obviamente, fora dos grandes centros urbanos não há muita escolha entre clubes ou treinadores

Com os melhores cumprimentos desportivos,

Miguel Santos - Lisboa
Benfica
Nem tudo permanece actual, como é óbvio, mas não quis deixar de partilhar igualmente aqui o que então escrevi. Até porque, especialmente no blogue do Sr. Rui Barata (www.tenisportugues.blogspot.com), foram feitos vários comentários que me levam agora a querer levar mais longe este tipo de intervenção. Acrescente-se que a própria Federação Portuguesa de Ténis me deu um feedback positivo que muito me alegra.

Objectivo

O objectivo deste blogue é promover o debate sobre o ténis português na perspectiva de TODOS os intervenientes: jogadores, treinadores, dirigentes, adeptos, árbitros, sponsors, técnicos de saúde e... encarregados de educação. Apesar de existirem já vários blogues informativos de inestimáveis préstimos sobre o ténis português e pelo menos um fórum de debate em blogue, pareceu-me não existir ainda um local na net com as características exactas que venho aqui propôr. O blogue, como qualquer blogue, lançará a debate alguns textos meus, mas pretende ir muito para além disso, incorporando textos das mais diversas proveniências com as preocupações de cada um no tocante ao ténis português e mesmo aos seus casos pessoais, a que esperamos que também se sigam apreciações, críticas e comentários sérios e oportunos. Não é de escamotear que, dadas as minhas circunstâncias pessoais, desejo especialmente fornecer um ambiente de desabafo CONSTRUTIVO aos pais dos jovens tenistas nacionais.