As vitórias de alguns tenistas portugueses nos últimos tempos têm sido de tal forma significativas que já quase não nos lembramos qual era o clima psicológico em torno do ténis português há apenas alguns meses atrás.
Poucos se atreviam a falar sequer em fazer uma carreira profissional como jogador de ténis. Isso era algo que parecia pura e simplesmente impossível para alguém nascido em Portugal. Neste momento, olhando sobretudo para uma Michelle, um Frederico Gil e um Rui Machado, já tudo parece possível.
Houve mudanças a nível estrutural ou organizacional no nosso contexto? Houve mudanças de fundo? Até ver, pode-se dizer que não.
Então o que mudou? Apareceram as primeiras grandes vitórias de menos de meia-dúzia que sempre acreditou, quase ao ponto da irracionalidade, ser possível chegar onde estão a chegar. Essas vitórias motivaram quem, por assim dizer, vem atrás.
Para mim, há aqui uma incontornável predisposição de uns raros que levaram por diante a sua ambição. Provavelmente, mais fossem os tenistas lusos com uma forte ambição e mais seriam os tenistas lusos com resultados.
Claro que compreendo os efeitos desmotivadores de muita coisa que eu próprio tenho referenciado, mas sem ambição que leve a superar os obstáculos é que nada feito.
Além disso, a ambição tem que se posicionar da melhor maneira justamente em função dos obstáculos. Há algum tempo, em conversa com um jovem tenista da zona de Oeiras, fiquei com a clara sensação de que ele estaria disposto a fazer todo o tipo de sacrifícios para ser tenista profisssional... se pudesse haver a certeza antecipada de que o viria a ser. Ora, o difícil é ter que seguir adiante trabalhando e sacrificando-se sem essa certeza. Isso exige ambição e... uma maturidade que poucos conseguem patentear com 15, 16, 17, 18 anos.
Voltando aos contornos da ambição, há ainda mais por dizer. Recordo-me sempre das palavras de um treinador sul-americano que passou uma parte da sua carreira em Portugal: "No meu país, quando se fala em objectivos, fala-se em ser número 1 mundial. Em Portugal, fala-se em ser campeão nacional de Sub-12, Sub-14 ou Sub-16, eventualmente em ser o melhor do país em juniores ou seniores."
Culminaria, dizendo que não acredito em grandes motivações sem grandes objectivos, sem a ambição de fazer algo realmente extraordinário.
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