sexta-feira, 15 de maio de 2009

CAR 2

Apesar de já ter lido e ouvido muitas coisa que julgo com enorme cabimento sobre o novo CAR do ténis, há um aspecto que me parece dos mais relevantes que ainda não vi analisado em lado nenhum: como funcionará a nova estrutura em relação aos não-residentes.
Se em relação aos residentes é mais ou menos evidente como tudo irá funcionar (mesmo quase nada ainda tendo sido dito), o mesmo não se passa para os tenistas "externos".
Os residentes virão para Lisboa treinar sob a tutela dos técnicos já anunciados, com quem programarão a generalidade da sua vida no ténis. Pelo menos até Janeiro, terão assegurado alojamento, alimentação e treinos gratuitos. Recorrerão sistematicamente ao preparador físico posto à sua disposição e aos fisioterapeutas, psicólogos e demais técnicos que o IDP tem no Vale do Jamor. Treinarão quase sempre no complexo desportivo implantado naquela zona e integrarão um grupo de trabalho permanente.
Como será para os que não são residentes? Que papel ficará reservado aos treinadores dos seus clubes? Poderá haver uma conjugação de tarefas entre estes e os treinadores do CAR? Quem programará os calendários competitivos destes tenistas? Quem os acompanhará nas deslocações a torneios (em Portugal e no estrangeiro)? A preparação física e psicológica será entregue a quem? Que meios serão aliados a estes jovens? Haverá obrigatoriedade de ir amiudadas vezes ao Jamor? Fazer exactamente o quê? Em que medida serão essas idas ao Jamor diferentes dos nossos conhecidos estágios nacionais no âmbito dos trabalhos dos seleccionadores nacionais?
Para ser franco, até que me demonstrem o contrário, não estou a ver sequer vantagem significativa em se ser integrado como "externo" no CAR, seja qual for o perfil a definir.
O que me parece é que o CAR é excelente para quem é de fora de Lisboa e não tem condições para evoluir na sua terra (se efectivamente não as tiver, porque o Porto, por exemplo tem quase as mesmas condições que Lisboa). Estes ficão agora com a possibilidade de vir como internos para um ambiente com fortes parceiros de treino, técnicos que foram avalizados por uma entidade superior, campos cobertos e numerosos, torneios à mão quase todas as semanas e uma série de outras condições.
Quanto aos lisboetas - os "externos" para que aponta a lógica -, o CAR pode bem ser tomado como um despropósito. A não ser que se esteja a falar de lisboetas que não têm bons parceiros de treino e técnicos com que estejam empatizados. É um caso em que o CAR pode justificadamente ser a "casa tenística", com os jovens a continuarem a residir nas suas casas de família.
Claro está que será enriquecedor para todos se algumas vezes jogadores como o Miguel Almeida, Francisco Dias ou a Patrícia Martins forem ao CAR treinar com os chamados residentes, mesmo permanecendo a 100% nos respectivos clubes. Mas isso é extensivo à junção em treinos e jogos de todos os tenistas com qualidade. Se forem ao CAR treinar de vez em quando jogadores de qualidade completamente sem ligação ao CAR poderá ser igualmente bom.
Acrescente-se, aliás, que vejo utilidade para todos em uma Neuza Silva, uma Frederica Piedade, um Leonardo Tavares ou um Pedro Sousa se deslocarem ao Jamor para alguns treinos com jovens que já os vão equiparando em vários aspectos e que integrarão o grupo de residentes do CAR, sem que isso queira dizer, como está bem explícito, que estes visitantes vão pertencer ao CAR (até pelos limites de idade).

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