Há uns tempos atrás, um amigo perguntou-me que medida escolheria se só pudesse escolher uma medida para favorecer o futuro do ténis português. Estranhamente ou talvez não, a resposta saiu-me com certa facilidade: escolheria o agrupamento de meios para permitir a jovens tenistas nacionais andarem lá por fora a competir o máximo de tempo possível.
De facto, parece-me que o que mais urge fazer é pôr os nossos jovens em contacto com as realidades internacionais. Sermos um país periférico no contexto europeu não ajuda, mas se não formos por aí, de nada valerão outras iniciativas.
É bom ter um CAR. São bons os estágios promovidos pelos seleccionadores nacionais. A organização de torneios juvenis A e B tem tudo de bom. Porém, se os nossos tenistas mais promissores não andarem em competições internacionais sempre que a escola o permite, ficaremos para trás. Quanto a mim, é esta falta de contacto internacional ao nível do que fazem outros países um dos principais responsáveis por a diferença entre os tenistas lusos e de outras zonas aumentar com a idade dos jogadores.
Tempo para ir fora de Portugal existe (o ano escolar tem entre 15 e 20 semanas de férias). Quanto a dinheiro, é inequívoco que as famílias terão que fazer um esforço redobrado para atingir objectivos, mas a Federação também ainda tem margem para poupar noutras coisas e apoiar um projecto do tipo que aqui preconizo.
A checa Gabriela Pantuckova, de 14 anos, jogou nos últimos 6 meses 68 encontros internacionais. O peruano Sub-16 Daniel Santos já contabiliza 62 encontros internacionais em 2009, o croata Filip Veger e o argentino Juan Ignácio Galarza, da mesma idade de Daniel, vão em 61 encontros internacionais cada no decorrer deste ano. A romena Elena Bogdan, 17 anos feitos há pouco, tem 57 encontros destes em menos de meio ano. Não será este tipo de calendarização uma mais-valia?
Sem comentários:
Enviar um comentário