Porque é que não há mais encontros de ténis arbitrados? Fiz várias vezes a pergunta a pessoas ligadas à arbitragem e, com algumas nuances, a resposta é sempre uma de duas: ou não há árbitros suficientes para as necessidades ou os organizadores dos torneios não têm dinheiro.
Começando por pegar no segundo argumento, é claramente falacioso. Se os clubes têm dinheiro para despesas muito maiores, também terão para pagar a deslocação e o trabalho dos árbitros. Embora eu continue a defender que não devem ser os clubes a pagar as despesas com arbitragem. O que seria se no futebol ou noutras modalidades fossem os clubes a encarregar-se dos vencimentos dos árbitros?
Se é nítido que os clubes e outras entidades organizadoras de torneios de ténis, podendo suportar encargos muito maiores, podem perfeitamente suportar as despesas com arbitragem, nas poucas semanas em que as têm durante o ano, já não será tão nítido o que fazer quanto a uma efectiva falta de pessoas habilitadas para arbitrar. Os clubes até podem somar significativas quantias com as taxas de inscrição dos tenistas nos torneios e ter muito com que pagar a arbitragem que se não houver árbitros não se vão inventar.
Mas porque é que há poucos árbitros? Para já, porque há poucos cursos de arbitragem. Resta saber porque é que há poucos cursos de arbitragem. Será que não é porque quem os pode criar não os quer criar, mantendo os serviços de arbitragem nas mãos de meia-dúzia?
Se assim for, só resta a Federação ou o Estado (o IDP) tomar nas suas mãos a formação de árbitros de forma directa e activa.
Sem vontade para tal, há a alternativa do recurso a alguém do público aceite por todas as partes para que se tenham mais árbitros nas cadeiras a eles destinadas. Não será o ideal, mas é então o possível.
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