quarta-feira, 13 de maio de 2009

CAR

Apesar de considerar, em abstracto, algo extraordinariamente positivo a criação de um Centro de Alto Rendimento (CAR) para o ténis, sou forçado a partilhar de muitas das preocupações que o técnico Pedro Bívar manifesta num site de referência no panorama tenístico (v. www.bolamarela.com/pt/cronicas.php?ref=23).

Afinal, como é que já há coisas assinadas com o governo e nada está definido sobre o que vai ser este CAR. Até o nome parece ser algo de provisório, pois custa a crer que venha a ser esta a designação definitiva quando tanto se presta a confusões com o CAR que o IDP (Instituto do Desporto de Portugal) já tem instalado na zona do Jamor para as mais diversas modalidades desportivas. Centro Nacional de Treino de Ténis, outro nome que já vi apontado, será claramente mais adequado, bem como qualquer outro que não se preste a confusões.

E para além do nome? Já se sabe se o CAR vai ser só para internos? O alojamento e a alimentação no CAR serão gratuitos para os atletas ou pagos com desconto? E como será para os treinadores? Poderá destinar-se tanto a pessoas de fora de Lisboa como a de Lisboa? Que suporte dará às selecções nacionais? Haverá tenistas federados pelo CAR ou mesmo os tenistas do CAR terão que estar federados por clubes "normais"? Qual será a relação entre o CAR e os clubes? Quais são os critérios para que os jovens tenistas sejam convidados a integrar o CAR? Os atletas do CAR terão algum apoio para a realização de competições, nomeadamente internacionais? Há um orçamento do CAR? Como vão funcionar os estudos dos tenistas do CAR? Há acordos com escolas? Já há um plano de actividades?...

Não chega dizer que, por imposição do governo, o João Cunha e Silva vai dirigir um CAR no Jamor e nem sequer se dizer o que esse CAR é.

Suspeitando, suspeitando apenas, pois mais não posso fazer, que este CAR vai ser mais ou menos decalcado do projecto que há uns anos atrás esteve implantado no Jamor (e na Maia), algumas coisas podem parecer mais definidas mas... continua a ser pouca informação da parte de quem a deve dar.

Uma questão que gostaria de ver respondida o mais depressa possível prende-se com a situação em que ficarão jovens tenistas com tudo para integrar o CAR e até convidados para tal que, por motivos tão legítimos como são a forte ligação aos seus actuais treinadores, companheiros de treino, família e localidade, não queiram deslocar-se para longe. Quanto a mim, as verbas do CAR deveriam ser partilhadas com estes casos. Não faz sentido usufruir de boas condições de treino, um óptimo treinador, companheiros de treino com qualidade e, para ter o apoio financeiro e logistico inerente ao CAR, ter que deixar um ambiente familiar pleno, amigos de longa data, uma escola onde se verifica uma boa integração e todas as referências afectivas. Pior ainda, corre-se o risco de jovens tenistas mais capazes (e reconhecidos como tal) ficarem quase desapoiados em termos financeiros e logisticos e outros menos capazes terem todos os apoios necessários.

1 comentário:

  1. Quanto a mim, o sistema de apoio a jovens atletas que não sejam internos do CAR, nomeadamente a ajuda financeira a estes casos nao deve ser dada, e explico porquê:

    Sim senhor, o atleta adora o treinador actual e nao o quer deixar. A questão que se coloca é: o facto de o atleta gostar do treinador quer dizer que ele é competente? E no caso de nao o ser, estamos nos todos a dar dinheiro a um projecto que o CAR nao controla?

    Na minha opinião, apenas os atletas que sao treinados pelos treinadores do CAR deverão ter direito a estes apoios financeiros, porque neste caso sim, nos temos a certeza que estes futuros profissionais estão a ser seguidos pelas pessoas mais competentes (ou deveriam ser) do país.

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